:::Lucky 13 - Unlucky 7:::

Nesse ano meu site completa 7 anos.
Ano 13 - 7 anos. 

Lucky 13 - Unlucky 7.

Em comemoração à esses 7 anos de sorte e azar, vou postar uma homenagem.
Há uns 5 anos recebi um e-mail de um amigo me contando uma história maravilhosa, logo nas primeiras linhas já me emocionei.
Por um problema com meu correio eletrônico, achei que havia perdido essa história fascinante e que naquele ano, com a autorização dele eu iria publicar.
Bem, os anos passaram e justo hoje 19 de janeiro de 2013, encontrei a correspondência. Tenho certeza que muitos irão se emocionar... 

Dedicada a todos meus amigos Lucky 13 ou Unlucky 7 . 

"Kati.

Pois é. Eu era adolescente e ficava vendo uns amigos fazendo a maior farra com umas "motos" da época que eram a Leonette e a Gulivette. Ai um vizinho  disse-me que o patrão estava vendendo uma Harley. Fiquei muito interessado e com a pouca grana que ganhava como tecladista em uma banda comprei uma Harley 750 acho que 1947. Nem cheguei a usar e o mesmo amigo falou que o patrão ia vender outra Harley acho que 1947 ou 49 só que 1200. Troquei no dia seguinte. 

A única coisa que eu já havia pilotado era minha bicicleta. Estas motos tinham o câmbio na mão e embreagem no pé. Ao trazer a moto para mim, o vendedor explicou: você aperta o pedal aqui, muda marcha ali, acelera aqui, freia ali. Eu decorei.

Escondi a moto na casa do meu amigo porque em casa ninguém podia saber. Fui lá todos os dias por uma semana, passar uma flanela. Um dia resolvi que era o dia e fui andar na fera.
Liguei, engatei a 1ª como me havia sido ensinado e cheguei do fundo do quintal até o portão e criei coragem:

- Agora vai!

Acelerei e fui. Só que esqueci o que fazer em seguida, acelerei a moto e entrei em uma árvore. A moto caiu acelerada fazendo aquele barulho discreto de Harley e meu segredo foi descoberto por toda vizinhança.

A mãe do meu amigo trouxe uma cadeira, me fez sentar e tomar água com açucar, o santo remédio de muitos sustos por muitas gerações. Isso tudo no meio da rua (eu sentado na cadeira com toda a vizinhança ao redor). Eu fiquei sentado rindo pacas, mas no dia seguinte devolvi a moto e peguei a grana de volta.

- Nunca mais vou andar num troço destes!

Passado uma semana, estava no fundo do quintal com meu cachorro, eis que escuto um som de Harley bem em frente ao meu portão. Achei que estava maluco, mas sai correndo para a frente de minha casa e tive a grande visão, não era uma Harley, mas a Indian das fotos, mas ainda em estado original. Era o destino batendo à minha porta. Isto não acontecia assim. Raramente via-se ou ouvia-se uma moto andando pela cidade, com exceção de um padeiro do meu bairro com uma Jawa com side-car caindo aos pedaços e que fazia entregas de pão e leite nas casas como era costume naquela época só que com charrete e cavalos.
Era um padeiro a frente de seu tempo.

A Indian estava sendo oferecida a um senhor que tinha uma transportadora perto de casa.
Ele bem que tentou, mas também não conseguiu andar, como eu. Meu coração saltou à boca, torcendo para que ele não conseguisse porque aquela Indian ia ser minha. Era o destino. E assim foi. Um caminhoneiro trouxe-a de Erechim, Rio Grande do Sul para vender em São Paulo.

Com o dinheiro que me havia sido devolvido uma semana antes e mais um pequeno empréstimo, comprei e escondi na casa de outro amigo. Primeiro reformei e deixei toda original, mas quando ia para o colégio passava sempre em frente ao Teatro Municipal onde em um dos cantos ficava diariamente estacionada uma Harley quase chopper. Era meio pelada ou faltavam peças talvez até por relaxo. Isto também não existia aqui naquela época. Era como um disco voador em São Paulo. Nunca vi o dono, mas soube que era um americano. Fui pesquisar aquele tipo de "modificação". Sempre fui fuçador e achei numa banca de jornais uma revista americana de motos chopper. Não sosseguei, fiz uma fotos em detalhes da moto e em cima das próprias fotos fiz o desenho do que pretendia. Em pouco tempo com a ajuda de dois senhores que tinham oficina de motos na Vila Mariana, estreei provavelmente ou talvez, a primeira chopper do Brasil. Simultâneo com o lançamento de "Easy Rider" nos cinemas em São Paulo.

Aprendi  a andar na teimosia. Não era fácil dirigir aquilo. Modifiquei um pouco passando o cambio manual de três marchas para o lado esquerdo e o acelerador para o lado direito. Ao mesmo tempo que se acelerava, na outra ponta do guidon tinha-se de girar o avanço do distribuidor. Esta motos tinham originalmente o acelerador do lado esquerdo e o cambio do lado direito por serem motos muito utilizadas para patrulha nos Estados Unidos e assim ficava fácil para o policial pilotar acelerando com a mão esquerda e atirar com uma arma com a mão direita. Bem faroeste.

O barulho do escape aberto direto era infernal. Sem carta, deixei o cabelo crescer até os ombros e com um macacão vermelho e botas militares, aterrorizava as pessoas por onde passava que em troca me elogiavam com palavras impronunciáveis.

Assim foi por cinco anos, quando em emergência de dinheiro, fiz uma das coisas das quais mais me arrependo na vida: vendi a bicha e nunca mais a vi. Pode ter sido desmontada ou sei lá.

Fim.

Grande abraço, Kati."









Meus sinceros agradecimentos ao J.K.  e desculpas, por não ter publicado a sua história antes...

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